Por
Erick Tedesco Gimenes
Nota: A entrevista não foi feita na última passagem pela banda no Brasil (dezembro/2006) e sim na anterior, na qual a banda se apresentou também em Piracicaba. Originalmente foi feita para entrevista Valhalla, na qual houve alguns cortes. Apresento-lhes aqui a entrevista completa.
Formado na cidade de Los Angeles em 2002 quando o vocalista Scott Vogel de Buffalo fora integrado à banda, o Terror logo começou a ganhar fama nas redondezas e lança o debut "Lowest Of The Low" e o hardcore que no momento estava estagnado e totalmente no underground ganha novo poder de fogo através de suas músicas com guitarras distorcidas, vocais agressivos e rápidos e uma sonoridade que ainda engloba elementos do metal e do hip-hop. Enfim o hardcore old school ressurgia em plenos século XXI, porém com mais raiva e ainda mais atitude. O Terror é a típica banda que é movida por trabalho, pois há quase dois anos encontra-se em turnê divulgando o álbum "One With The Underdogs", que consagrou o nome agora no cenário mundial e até já fora indicado com um dos álbuns essenciais de hardcore para um fã do estilo. A parte de muitas mudanças na formação ao longa da curta carreira da banda, o vocalista Scott Vogel e o guitarrista Martin Stewart (substituindo Frank Novinec que foi para o Hatebreed), após o primeiro show da segunda turnê brasileira que realizaram no começo de Maio de 2006, nos concederam esta entrevista. Confira.
"One With The Underdogs" foi lançado em julho de 2004. Como você avalia a repercussão dele após todo esse tempo?
Martin Stewart - A reação do público perante
"One With The Underdogs" foi maravilhosa. Eu era um fã do Terror antes de ser convidado para entrar no lugar do antigo guitarrista (Frank Novinec) e eu estava do outro lado da história. Eu acompanhei a banda crescer na cena musical desde o lançamento de "Lowest of the Low" em 2003 e posso dizer que o Terror está em um posição elevada. Enfim, estava fora do palco os vendo destruir a cada show e com certeza foi um caminho vitorioso.
Este disco foi muito elogiado pelos veículos de imprensa por todo o mundo. Particularmente, vocês acreditam que o "One With The Underdogs" foi um trabalho importante não só para a banda, mas também para toda a cena do hardcore/metalcore?
Stewart - Metal e Hardcore são duas cenas musicais que evoluíram juntas e quando o Terror lançou um álbum tão furioso com este foi fácil ser bem recebido pelo pública de cena metal, mesmo porque trata-se de uma mistura entre hardcore e metal. Não é um álbum destinado especificamente para quem curte hardcore ou só para quem curte metal, e esse fator ajudou a ser um álbum bem recebido pelo público e pela mídia especializada.
Como vem sendo para vocês estar a tanto tempo em turnê divulgando este álbum? Como foi a experiência de excursionar com tantas bandas clássicas do hardcore?
Scott Vogel - Com certeza Madball é uma das bandas mais fantásticas para se fazer uma turnê, todos são excelentes músicos e pessoas. Também nos divertimos bastante ao lado dos canadenses do Comeback Kid. É sempre válidos estar na estrada e fazer boas amizades. É o espírito do hardcore, principalmente em show de pequeno porte, como foi o primeiro que realizamos nesta segunda vez que tocamos no Brasil.
O Terror tem a atitude com uma das suas principais características. Sendo assim, gostaria que você nos dissesse um pouco mais sobre o aspecto lírico do grupo. Trata-se realmente de uma abordagem política e sobre o que é se envolver com o hardcore?
Vogel - Mais do que a atitude configurada em nossas letras, o Terror compõe letras honestas, pois não há besteiras ou falsidades no que falamos. Gostamos que escrever letras que falam de experiências de vida, de doenças, da condição humana, e tais temas aparecem nas músicas carregados de agressividade e de atitude, tipicamente hardcore.
O hardcore nova-iorquino é a principal influência de vocês ou vocês também foram inspirados por outras fontes?
Stewart - Sim, todos na banda são influenciados pelo hardcore nova-iorquino, mas também gostamos de hip-hop e rap, e ao mesmo tempo escutamos metal, alguns de nós estávamos envolvidos com metal antes de estar no hardcore, então o Terror é a junção de todas estas sonoridades.
Apesar de o Terror ser uma banda relativamente nova, muitas foram as suas mudanças de formação. Por que a banda teve que passar por tantas mudanças? Faltou um comprometimento maior desses ex-integrantes com vocês?
Vogel - Bem, a atual formação do Terror é a mesma há alguns meses, é a que mais está funcionando junta. Estar na cena hardcore não é preciso ter dinheiro, mas a experiência é essencial. Paciência também, pois ficamos muito tempos juntos em uma van, em um mesmo quarto e estamos em contato com muitas pessoas o tempo todo. As vezes mudanças são necessárias e sinceramente não sei dizer se a atual formação é a definitiva ou não. Todos atuais integrantes são extremamente capacitados para estar no Terror, mas as coisas mudam...
O Terror faz parte de um estilo, o hardcore, que ultrapassa os limites do campo musical, envolvendo certa postura e atitude. Para vocês, o hardcore é mesmo muito mais do que um estilo musical, é um estilo de vida? Como vocês lidam com isso?
Vogel - Em absoluto! Todos nós do Terror vivemos e respiramos o hardcore, tanto nos palcos ou em nosso cotidiano, evidentemente há uma conexão do nosso trabalho com todas outras coisas que fazemos.
No Brasil mesmo vocês já tiveram a oportunidade de tocar, se apresentando por aqui no ano passado. Como você poderia descrever essa primeira passagem da banda pelo país?
Vogel - A nossa primeira passagem pelo Brasil foi fantástica. Lembro-me que tocamos em um festival da Liberation Festival ao lado de algumas bandas brasileiras muito boas, porém não tivemos muito tempo livre para conhecer o país. Foram dois shows e tudo o que fizemos foi chegar em São Paulo, tocar e dormir; tocar novamente, dormir e voar para a Europa. Gostamos muito daquelas duas apresentações.
Há alguma diferença entre o público hardcore daqui com o norte-americano ou da Europa? Ou em todos os lugares pelos quais o Terror passou sempre encontrou um público bem selvagem (no bom sentido)?
Vogel - Cada platéia ao redor do mundo tem sua particularidade e suas exigências, mas creio que no geral todas se divertem e curtem as apresentações do Terror e conseguem sentir a energia que é um show da banda.
Muitas pessoas estão dizendo que o Terror foi um dos principais responsáveis pelo renascimento do hardcore old school na cena atual. Como soa para você esse tipo de afirmação?
Vogel - Não sei te responder. Se as pessoas consideram o Terror uma referência no meio hardcore eu fico orgulhoso disso. Sinceramente não espero que todos gostam do nosso som, apenas espero honestidade daquele que tenha contato com nosso trabalho e nos respeite.
Originalmente a banda foi formada em Buffalo, mas vocês optaram por mudar de cidade se instalando em Los Angeles. Foi uma mudança necessária para que um campo maior fosse aberto para o Terror?
Vogel - Particularmente me mudei para Los Angeles por causa de minha namorada e foi também o lugar onde o Terror iniciou atividades, mas quando entrei na banda eles já estavam tocando na cena local, mas não creio que o fato de mudar de cidade significou algo em relação ao sucesso obtido até agora. É mais uma questão de trabalhar seriamente e vontade de fazer boa música.
O DVD "The Living Proof" será lançado pela Trustkill Records neste mês de maio. Qual o conteúdo deste material? Ele vai contar também com algumas imagens dos shows no Brasil?
Vogel - Este DVD contém uma apresentação na íntegra filmada em Londres, cenas de estúdio enquanto gravávamos o novo álbum, filmagens de nosso cotidiano, filmagens de shows antigos e há também cenas do show que realizamos no Brasil durante nossa primeira passagem por aqui.
Como será o novo álbum, "Always The Hard Way"? Será o mesmo Terror consistente de sempre ou ele vai contar também como alguns novos elementos na música de vocês?
Vogel - Estamos muito felizes com o resultado final do nosso trabalho, é um material legal e os novos integrantes do Terror interagiram bem durante as gravações. Sinto que
"Always The Hard Way" foi produzido em um momento positivo da banda e creio as coisas só tendem a melhorar quando for lançado. As músicas deste novo registro foram compostas durante as turnês e também enquanto estávamos descansando em nossas casas, durante os pequenos intervalos entre turnês e férias.
A cena do hardcore tem um lance de união impressionante, sendo comum os músicos envolvidos neste meio terem projetos paralelos.
Vocês, algum dia, pretendem fazer algo do tipo? (caso tenham) Poderia nos dizer um pouco sobre esses projetos?
Vogel - O Terror toma muito do meu tempo e além disso sinto-me realizado com meu trabalho aqui, e musicalmente falando é tudo o que eu faço. Já o nosso baterista Nick é o vocalista da banda hardcore/punk Piece by Piece e o guitarrista Martin toca em uma banda chamada Donnybrook, ao lado de seu irmão.
Banda:
Jonathan Buske (baixo)
Scott Vogel (vocal)
Nick Jett (bateria)
Martin Stewart (guitarra)
Doug Weber (guitarra)
Discografia:
Lowest of the Low (2003)
One With the Underdogs (2004)
Always the Hard Way (2006)
Erick Tedesco Gimenes
Jornalista/Assessor de Imprensa
Palco Vale -
www.palcovale.com.br
Liberation Records -
www.liberationmc.com
Rock Hard-Valhalla -
www.valhalla.com.br
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Site oficial:
www.terrorhc.com