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Eventos Realizados Pela Hardcore Pride
Por Erick Tedesco Gimenes

Nota: A entrevista foi feita inicialmente para o site www.palcovale.com.br. Reproduzimo-as com total autorização de seu respectivo autor, Erick Tedesco Gimenes.

25 Ta Life no Jabaquara/SPDepois de quatro shows no Brasil, qual foi sua impressão sobre nossa cena hardcore?
Rick ta Life – A cena brasileira é bem variada: punks, skins, straight edges, metaleiros underground...senti um senso de união verdadeira por aqui, como na primeira vez que excursionamos pelo Japão, onde as pessoas eram muito entusiasmadas e não eram reservadas. Sou uma pessoa muito realista, assim como os outros caras da banda, então conhecemos e nos divertimos muito com aquelas crianças que são como nós. E estar aqui é realizar um sonho. Esperei 15 anos para finalmente estar no Brasil, desde os velhos tempos quando conversei com os caras do Sepultura. Eles já me diziam como a cena daqui era legal. São caras muito orgulhosos de onde eles vieram. Então, sempre quis ver pessoalmente! Como disse, desde o começo, escuto pelos meus amigos do Biohazard e Agnostic Front uma porrada de bandas brasileiras e enfim, é maravilhoso estar aqui! Gostaria de ter mais energia para ver e fazer mais coisas, mas o tempo é curto. Desembarcamos aqui logo que finalizamos a turnê pela Flórida (EUA) e estávamos definitivamente cansados, mas o público brasileiro nos passou uma energia muito boa, que nunca me esquecerei. Agradeço muito à todos que nos viram e nos apoiaram, mas se alguém não pôde nos ver desta vez, terá a chance ano que vem. Com certeza voltaremos em 2008!

Quanto ao sentimento aqui no Brasil, você teve alguma experiência, como música ou simples ser humano, que nunca teve antes, em Nova Iorque ou em qualquer outro lugar que já tocaram?
Rick ta Life
- Com certeza é a receptividade brasileira. Foi um sonho para mim, definitivamente foi tudo como imaginei, provavelmente até melhor. Amei que todo mundo aqui é entusiasmado, o público, as bandas, todos fantásticos. Estou com a 25 ta Life há 15 anos e com incontáveis turnês nos Estados Unidos, Europa, Japão, Porto Rico e o Brasil era um lugar que nunca tocamos antes e não consigo me expressar com palavras o que isso significa. Senti um verdadeiro espírito de underground aqui, um sentimento que esta molecada realmente acreditam no hardcore e é o que me deixa orgulhoso em fazerparte desta cena. Anos atrás, realizamos algumas turnês no Leste europeu, na Bulgária e Sérvia, onde tive o mesmo sentimento, que eles de fato se preocupam com você, assim como eu dediquei grande parte de minha vida para a cena hardcore. Tudo vale a pena quando se vê garotos fazendo zines, distros, montando gravadoras e agendando turnês.

Vocês tiveram tempo para conhecer a cultura brasileira (comida, costumes)?
Rick ta Life
- Muito pouco. Fico triste por isso e me desculpo! Até mesmo as bandas daqui, apenas conheci algumas, mas peguei muitos CDs e camisetas, como Live by the Fist, Alto Teor de Revolta, Confronto, e muitas outras.

A energia da platéia brasileira, que fora filmada durante os shows, estará presente no material do próximo DVD do 25 ta Life?
Rick ta Life
- Sim, usaremos estas filmagens em nosso novo DVD. Será ótimo para o mundo do hardcore ver isso. Definitivamente aproveitaremos as imagens, porque como já disse, estou muito orgulhoso desta turnê no Brasil.

Hellbound, Misery, TormentFallen AngelRick, fale-nos sobre os dois últimos lançamentos do 25 ta Life, Hellbound, Misery, Torment e Fallen Angels.
Rick ta Life
- Hellbound, Misery, Torment saiu em 2005 através de minha gravadora Back to Basics Records e Fallen Angels em 2006 por uma gravadora européia. Trata-se de uma mistura de hardcore old school com new school, com alguns covers de Fear the Old, La Band e Iron Cross (a velha banda skinhead de Washington DC). A música “Fallen Angel” é dedicada a meu amigo Archie Sib, que morreu. Ele era um dos caras que me introduziram para muitos na cena. Infelizmente ele morreu em 2006 aos 30 anos. Um cara maluco como nós, mas com um grande coração. Sempre me senti bem ao lado de Archie. Quando falava, todos escutavam, seja falando coisas sérias e engraçadas. Tenho saudades de suas histórias. Antes dele se mudar para Kansas, tocamos em um show junto ao Agnostic Front, em Long Island, Nova Iorque, quando pudemos nos divertir, conversar, tirar fotos, rir e beber um pouco. Disse à todos no palco que aquele era o cara que colocou o hardcore de Long Island no mapa. Muitos em Nova Iorque já ouviram histórias, mas nunca conheceram Archie, até mesmo tinham tattoos dele em volta do pescoço, ou de seus grafites. Se ele fosse seu amigo, você estaria seguro (risos)! Fui um dos sortudos de conhecê-lo, em um show no lado de fora tirando um cara de dentro do carro e brigando por qualquer razão. Meus amigos e eu sabíamos que ele era louco como nós (risos). Anos atrás quando eu estava fodido no crack e heroína, Archie costumava a ficar muito puto comigo. Queria brigar, porque eu usava drogas e então ele me chamava de perdedor. Achava aquilo muito babaca, mas depois percebi que ele se preocupava comigo. Lutei contra o vício por anos, mas venci. Estou sóbrio por quase 12 anos agora. Archie realmente me ajudou muito, é uma das pessoas que me ajudaram a permanecer forte a fazer o que eu quero hoje, e por isso nós tocamos em respeito à Archie Sib, o anjo que caiu, de Long Island, Nova Iorque.

25 Ta Life no Jabaquara/SPO guitarrista Bobby Hambel (ex-Biohazard) não pôde vir ao Brasil com a banda, mas ele continuará com o 25 ta Life para o resto dos shows?
Rick ta Life
- Bobby tocou em uma faixa de nosso novo CD, que será lançado em 2008 e se chama Strength Integrity Brotherhood (S.I.B.). Ele estava muito empolgado quanto a turnê brasileira, mas três semanas antes da turnê ele me ligou para dizer que não poderia realiza-la, porque tinha problemas acontecendo em sua família. Ficou muito chateado e me ligava várias vezes para dizer que sentia muito e para deixar um recado ao público brasileiro de que definitivamente voltará ao Brasil com o 25 ta Life no futuro. Então, trouxe meu amigo Matt, que já excursionou conosco no passado na turnê européia do Best of Friends – Enemies, em 2003. Mas sim, conversei com Bobby e ele tocará conosco no futuro. É um grande sujeito e sempre nos demos bem. Costumava ir em shows do Biohazard, junto com Archie. Sempre senti que Bobby era um cara com um coração louco.

25 ta Life representa a velha guarda do hardcore de Nova Iorque e são aclamados pelo mundo. Até os dias de hoje, permanecem verdadeiros ao espírito e crenças do estilo de vida do hardcore, que também vai muito além da música. Em sua opinião, como o hardcore influencia vidas e torna-se uma filosofia para muitos?
Rick ta Life
- Antes de tudo, sempre serei um fã deste estilo de música. Isto é ser anti-rockstar. Somos todas as mesmas pessoas que tocam em bandas, que agenciam shows, que tem gravadoras, etc. Esta é a música que me ajudou em minha vida a conhecer alguns dos meus melhores amigos e tive meus melhores momentos de prazer, sempre envolvido no hardcore. Também tive muitos maus momentos, cometi erros no passado, mas somos todos humanos. Antigamente muitos garotos me perguntavam se estava triste pelo fato de que muitas das bandas, que costumavam abrir para o 25 ta Life, são hoje grandes e por que então eu também não assinava com uma boa gravadora ou fazia uma grande turnê. E isso é muito simples: não estamos interessados nisso! Não pretendo estar em uma grande banda, não quero ser o número 1. Em 1997, 98 e 99 éramos provavelmente a maior banda underground da cena nova-iorquina de todos os tempos, sem um grande contrato assinado. Tínhamos muitas gravadoras esperando para assinar conosco, prometendo isso e aquilo, e eu ria. Preferia acabar com a banda do que alimentar estes tubarões. Por que eu os deixaria explorar aquilo que amo e que me ajudou a levar a vida? Hardcore é anti-rockstar, é a música de protesto. Comecei esta banda para contrariar este tipo de suporte, para apoiar algo de verdade, que passe uma mensagem real, apoiar bandas e pessoas do underground, mas nunca àquelas bandas e seus grandes shows que só querem explorar nossa cena.

25 Ta Life no Benjamin Rock Bar/PiracicabaVocê sente-se o mesmo hoje em dia, desde de quando começou o 25 ta Life há 15 anos atrás?
Rick ta Life
- Amo o hardcore, bandas como 7 Seconds, Antidope, Bad Brains, Agnostic Front, Cro Mags, Abused, Minor Threat, Killing Time, Sheer Terror, Dmize, Warzone, Youth of Today, etc. Estou ficando velho, tenho 37 anos, mas ainda o mesmo garoto. Claro que muita coisa mudou, sou pai de uma criança de três anos e meio. Aprendi a não achar de tudo dura para sempre, o tempo é inimigo de todos. A vida às vezes é fria, mas precisamos encará-la nos momentos difíceis para alcançar tempos melhores. Quando tinha outro emprego, mal conseguia esperar pelo fim de semana para ir à shows, me divertir, moshar e comprar novos LPs, fitas cassete e zines para saber as novidades da cena e descobrir novas bandas. Foi o que me deu esperança e também me ajudou a descobrir meu caminho. Como disse, estou apenas tentando aprender e aproveitar minha vida, lendo letras de hardcore daquelas bandas que gosto, que me ajudam a encarar os maus momentos de minha vida quando estou sozinho. A música foi e sempre será minha melhor amiga.

Rick, muito obrigado pela entrevista. Por favor, deixe uma mensagem final aos seus fãs no Brasil.
Rick ta Life
- A espera de tocar aqui valeu 100%. Obrigado à todos pelo apoio, às pessoas que conhecemos, conversamos, comemos juntos e todas as bandas que dividimos o palco. Obrigado pelas memórias.


Erick Tedesco Gimenes
Jornalista/Assessor de Imprensa
Palco Vale - www.palcovale.com.br
Liberation Records - www.liberationmc.com
Rock Hard-Valhalla - www.valhalla.com.br

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