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Eventos Realizados Pela Hardcore Pride
Por Erick Tedesco Gimenes

Nota: A entrevista foi feita inicialmente para o site www.palcovale.com.br. Reproduzimo-as com total autorização de seu respectivo autor, Erick Tedesco Gimenes.

Linha de FrenteConte-nos sobre a experiência do Linha de Frente na turnê européia realizada no início de 2007.
Maneko
- Ficamos muito honrados com a possibilidade de representar o hardcore brasileiro por lá. Desde o começo tentamos dar o melhor de nós para fazer jus a esta oportunidade. Chegar lá e tocar, ocorreu naturalmente e foi muito melhor do que esperávamos. Fomos muito bem recepcionados, os shows foram bem proveitosos e a turnê como um todo certamente surtiu o impacto pretendíamos atingir.

Qual fora o maior aprendizado para a banda desde contato com uma cena e público estrangeiro?
Maneko
- Que a cena do Brasil tem um potencial enorme e deixa-o passar entre os dedos. Lá fora com muito menos a galera faz muito mais! Temos que acreditar mais em nosso potencial.

De todos os lugares em que se apresentaram, em qual país realizaram o show mais positivo?
Maneko
- Na Áustria, por que lá tinha muita gente como nós, outcasts. Sentimos-nos em casa esse dia. Foi muito bruto!

Vivenciaram algum momento desagradável durante a turnê na Europa?
Maneko
- Tivemos alguns contratempos, mas nada demais! Estamos acostumados com a dureza daqui então o pior de lá era mamão com açúcar!

O movimento vegan straight edge, qual fazem parte, é ainda mais intenso lá fora não? Essa relação ajudou na hora de enfrentar uma platéia que provavelmente não entendem português e às vezes nunca ouviram falar do Linha de Frente antes?
Maneko
- A cena hardcore no mundo inteiro é bem parecida. Claro que cada lugar é singular e tem suas características mais marcantes, mas lá não é muito diferente daqui em relação ao pessoal. Lá se tem mais estrutura e ação, mas o pessoal é mais ou menos o mesmo esquema daqui. Nos shows a gente fazia os discursos em inglês e o disco que a gente lançou lá, além de ter algumas músicas em inglês tem o encarte todo em inglês com as letras traduzidas e textos explicativos. Deu pra se entender bem com a galera lá. A gente não liga muito em tocar só pra vegan straight edge, por que estas pessoas já sabem o que nós temos pra falar. O legal de estar junto com as pessoas que já seguem a mesma vida que nós é de fortalecer o orgulho e assim firmar os pilares das nossas convicções, mas o que a gente gosta mesmo é de confrontar idéias e dar um choque nas pessoas, se elas vão nos ouvir ou não fica a escolha de cada um, mas só de fazer e um ou dois se questionarem já sentimos o gosto de missão cumprida.

The ChainO álbum The Chain fora lançado durante esta turnê e ainda não recebeu uma edição nacional. Por quê?
Maneko
- O The chain foi feito exclusivamente pro selo Storm of Justice por ser um selo militante como nós somos. Agora ele também será lançado no Chile por um acordo entre os selos. Lançar esse disco aqui no Brasil não seria uma má idéia!

Qual a principal diferença entre as músicas do split Cuidando dos Negócios destas novas do The Chain?
Maneko
- O Split tem mais o espírito ganguero das ruas. Seguimos essa temática assim como o Dzspero fez, desde o encarte até as letras e o som é mais hardcore, mosh, maloqueragem mesmo! Já o The Chain é aquele mosh metalizado com rifs que incentivam a dança violenta e letras ultramilitantes.

Linha de FrenteO videoclipe da nova música "Alerta" é impressionante, tanta devido a edição e as imagens que retratam questões como amizade e perseverança straight edge. Conte-nos um pouco dos bastidores deste vídeo.
Maneko
- O clipe foi feito de forma bem natural, juntamos os elementos que fazem parte da nossa vida, não tem maquiagem, não teve roteiro, não teve nada de fora, só a gente e nossos amigos. A intenção era mostrar a nossa realidade e acho que conseguimos bem isso. O pessoal da Produtora que fez conseguiu captar bem o que a gente queria passar!

Que lugar é aquele da cena principal da banda?
Maneko
- Aquele é o "Beco da morte" no setor comercial. De noite ali é ponto de droga e prostituição. Bem no coração da capital embaixo do nariz de todo mundo a babilônia corre solta. A gente escolheu aquele lugar por que é bem "DF" mesmo, centrão podre, do lado da esplanada dos ministérios. Cada um é podre de um jeito.

E fale-nos sobre o show do Linha de Frente no Porão do Rock 2007. Como foi tocar no mesmo palco de bandas renomadas no cenário rock/metal do Brasil?
Maneko
- Nós ficamos muito satisfeitos com a reação do público, tanto com a música como os discursos! Agora tocar com bandas que foram trilha sonora de quando éramos mais novos foi muita honra!

O Linha de Frente é conhecido aqui na cena hardcore brasileira por causa da militância vegan sxe implícitas em suas letras. Fale do envolvimento da banda com este movimento alem do terreno musical.
Maneko
- O envolvimento da banda além do musical é 100%. O linha que você vê nos shows, os discursos que o público ouve é simplesmente o que a gente é e vive no nosso dia a dia. Se você for a nossos lares, locais de trabalho ou onde quer que seja você nos verá da mesma forma que nos portamos no show. Concretizando no nosso dia a dia as nossas posturas. A gente escolheu travar uma batalha diária contra as injustiças, e mais do que isso, escolhemos se posicionar literalmente na linha de frente.
Maneko, você se ausentará do país durante um ano. A banda convocará outro vocalista para substituí-lo?
Maneko - Não sei, não posso falar pela banda nesse ponto. Passarei um tempo fora e o resto dos parceiros tem que decidir o que é melhor pra banda. O importante é que a tempestade da justiça não pare.

SplitFale-nos sobre a duradoura parceria com o selo goiano One Voice Records.
Filipe
- Falou tudo, parceria. O que rola não é bem uma relação selo e banda. O Rodolfo é um grande amigo nosso. Quando rolou de lançar o disco pela OV foi uma satisfação pra gente porque estávamos em boas mãos, ainda mais sendo um split com o pessoal do Dzspero, um projeto 100% entre amigos. Independente do disco, a gente sabe que pro que precisarmos poderemos contar com o pessoal da OV e vice-versa!

Obrigado pela entrevista. Por favor, deixe um recado final.
Maneko
- Aqui na América do Sul temos uma vida muito dura e corrida, e devemos nos orgulhar de além de vencer essas batalhas diárias, fazermos de nossas vidas a maior e mais poderosa arma contra um sistema que não funciona pra mim nem pra você, e sim pra uma elite que é alimentada pelo sangue e suor dos oprimidos. Muitos sacrifícios foram feitos pra gente estar onde está hoje, se não temos mais as mãos amarradas devemos também não ter a mente amarrada. Não aceite nada que tentam te empurrar pra anestesiar sua revolta, por que bem aventurado é aquele que tem sede de justiça. Acredite em você no seu potencial, por que a gente acredita, e muito.

Site Oficial: www.xlinhadefrentex.com

Erick Tedesco Gimenes
Jornalista/Assessor de Imprensa
Palco Vale - www.palcovale.com.br
Liberation Records - www.liberationmc.com
Rock Hard-Valhalla - www.valhalla.com.br

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